Tiago Teruel Rezende
Engenheiro agrônomo, doutorando em Agronomia-Fitotecnia na Universidade Federal de Lavras ““ UFLA, membro associado do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia ““ GHPD e do Núcleo de Estudos em Cafeicultura ““ NECAF
Marcos VinÃcius de Oliveira Gonçalves
Renata Pereira Leal Fonseca
Graduandos em Agronomia pela UFLA e membros do GHPD
Entre os fatores relacionados com a sustentabilidade na citricultura, o manejo de plantas é, sem dúvida, um dos mais importantes, visto que o correto manejo proporciona um controle correto da infestação de plantas daninhas, não permitindo que haja competição com a cultura, além de permitir a incorporação de matéria orgânica no solo e a ciclagem de nutrientes das subcamadas do solo.
Quando o manejo é realizado de forma inadequada há um grande prejuízo para a cultura, pois as plantas daninhas competem com a cultura por água, nutrientes e luz. As plantas daninhas também podem hospedar pragas, doenças da citricultura, além de dificultar os tratos culturais, acarretando em sérios prejuízos ao citricultor.
O manejo adequado busca impedir que a cultura sofra com a competição das plantas daninhas e aproveitar, ao mesmo tempo, os benefícios que elas oferecem, tais como proteção à erosão do solo, aumentoda infiltração de água, hospedar inimigos naturais, incorporar matéria orgânica na superfície do solo, entre outros.
Principais plantas daninhas na citricultura
Várias espécies de plantas daninhas são encontradas nos pomares, no entanto, sua importância se deve ao nível de infestação e à interferência que elas proporcionam ao crescimento e produção das plantas cÃtricas.
Quando os plantios de citros são feitos em áreas que antes eram pastagens haverá uma predominância do capim-braquiária (Brachiariadecumbens) e/ou capim-colonião (Panicummaximum), portanto os pomares geralmente são infestados por espécies de plantas daninhas que faziam parte da cultura anterior ao plantio, fato que deve ser observado no momento de planejamento do manejo das plantas daninhas.
Há também, em muitos pomares, a predominância da infestação por mono e dicotiledôneas anuais, tais como: capim-carrapicho (Cenchrusechinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermumhyspidum), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), capim-marmelada (Brachiariaplantaginea), capim-colchão (Digitaria horizontalis), capim-favorito (Rhynchelitrumroseum), capim-amargoso (Digitaria insularis), picão-preto (Bidens pilosa), guanxumas (Sidaspp), carurus (Amaranthusspp), falsa serralha (Emiliasonchifolia), mentrasto (Ageratumconyzoides), picão-branco (Galinsogaparviflora), cordas-de-viola (Ipomoeaspp), beldroega (Portulacaoleracea), poaia-branca (Richardia brasiliensis) e serralha (Sonchusoleraceus), entre outras.
A grama-seda (Cynodondactylon) e a tiririca (Cyperusrotundus) são de difícil manejo, devido a sua disseminação ser por estruturas de reprodução vegetativa, tais como rizomas e estolões, respectivamente. Devido à dificuldade de controle, é motivo de grande preocupação por parte dos citricultores que possuem pomares infestados com elas.
PerÃodo crÃtico de competição
Quanto maior a densidade e os períodos que certas espécies de plantas daninhas estiverem em competição com a cultura, maiores serão os prejuízos ao desenvolvimento das plantas e à produção.
Na citricultura, a ausência de controle ou a sua realização por tempo insuficiente, no período de novembro a março, propicia significativos prejuízos na absorção de nutrientes, que serão fundamentais na formação, desenvolvimento e maturação dos frutos.
Além disso, as plantas daninhas proporcionam um decréscimo da disponibilidade de água no solo. Portanto, nesse período é de extrema importância o controle das plantas daninhas.
Estratégia de manejo
O manejo das plantas daninhas envolve a integração de métodos químico e mecânico. O manejo e as práticas podem ser adotados para o controle das plantas daninhas na linha de plantio e nas entrelinhas.
O controle destas plantas, em faixas nas linhas de plantio, evita a competição, principalmente por nutrientes, pois é onde se concentra a maior parte do sistema radicular, e onde ocorre a absorção dos nutrientes. O manejo nas entrelinhas, por exemplo, com uma roçadora, complementa o controle e protege o solo dos problemas com erosão e aumenta a infiltração de água no solo.
O controle químico com o uso de herbicidas pode ser separado em função da época de aplicação. Neste caso há aqueles que são aplicados ao solo, com o objetivo deinibir a germinação das plantas daninhas por certo período, chamados de pré-emergentes, e aqueles que são aplicados sobre as plantas daninhas já estabelecidas no solo, os pós-emergentes.