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Algas protegem as florestas de condições estressantes

 

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

Crédito SXC
Crédito SXC

Para a instalação e cultivo de espécies florestais os problemas a serem enfrentados se assemelham aos que ocorrem nas produções anuais e perenes: há de se preparar o solo, preocupar com a fertilidade do solo, com a provisão de água, com temperaturas extremas e com a ocorrência de pragas e doenças, entre outros aspectos.

Tem-se, ainda, o aspecto de que tal exploração, normalmente, ocupa áreas marginais, e dificuldades quanto à irrigação, quando o plantio das mudas ocorre em condições hídricas adversas.

As algas marinhas

No mercado brasileiro de insumos agrícolas estão disponíveis produtos à base de extratos de algas marinhas. Tais formulados podem representar um auxílio na implantação e condução de florestas plantadas.

As algas marinhas têm sido utilizadas desde a antiguidade, diretamente ou previamente compostada, como adubo e como agentes de condicionamento de solo.

Algas marinhas são organismos vegetais, unicelulares ou pluricelulares que fazem fotossíntese. Nutrem-se dos elementos ativos do mar e contêm altíssimos níveis de elementos minerais (entre os quais os nutrientes de plantas), aminoácidos, vitaminas A, B1, B3, B6, B12, C, D e E e outras substâncias, como glicoproteínas, auxinas (hormônio do crescimento que governa a divisão celular), giberelina (que induz a floração e alongamento celular) e citocininas (hormônio da juventude, retardamento da senescência).

São fontes de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças.

 Entre as algas marinhas têm-se, por exemplo, as denominadas:

ð Castanhas ou pardas: Saccharina latissima, L. hyperborea, Fucus serratus, Pelvetia caniculata, Ascophyllum nodosum, Himanthalia elongata, Chorda filu, Bifurcaria bifurcata, Cystoseira spp., Padina pavonica, Dictyota dichotoma e Dictyopteris polypodioides.

ð Vermelhas: Ahnfeltia plicata, Chondrus crispus, Palmaria palmata, Ceramium shuttleworthianum e Delesseria sanguínea.

Assim, a introdução das algas marinhas no sistema produtivo pode proporcionar a produção de fioalexinas (indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas), fortalecendo os mecanismos de resistência vegetal. Também, a vida microbiológica do solo torna as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade, seca, etc.

Melhor eficiência

Os extratos de algas, se associados a adubos minerais, podem melhorar a absorção dos mesmos e seu aproveitamento dentro das plantas. Como as algas marinhas favorecem a divisão celular, por serem ricas em estimulantes naturais e nutrientes, seu emprego melhora o enraizamento dos vegetais, o que possibilita o melhor uso do solo, de água e de nutrientes. Assim, o enraizamento será mais abundante e eficiente.

Entre as glicoproteínas presentes nas algas estão os alginatos, que compõem a estrutura da parede celular das algas e que fazem com que elas armazenem água nas células e permaneçam hidratadas por todo o período que passam exposta ao sol.

Quando o extrato de algas é aplicado no solo, o alginato desempenha o papel de reter água e agregar as partículas do solo, proporcionando um ambiente ideal para o desenvolvimento das raízes e absorção dos nutrientes.

Outro aspecto interessante é a influência das algas na atividade fotossintética vegetal: a sua aplicação, pela riqueza em estimulantes naturais, aumenta os teores de clorofila, pigmento responsável por tal processo.

Mais que vantagens

Os benefícios da inclusão de extratos das algas no processo de adubação podem se resumir da seguinte forma:

ü Proporcionam melhor desenvolvimento das raízes, por favorecerem a divisão celular, propiciando, assim, melhor arranque e estande;

ü Contribuem para a maior resistência a condições adversas, como frio, déficit hídrico, granizo, altas temperaturas, salinidade, ataque de pragas e doenças, devido ao efeito de sua presença na formação de fitoalexinas, estimulantes naturais, presença de alginato e ao estímulo ao enraizamento.

ü As algas podem ser usadas na agricultura na forma seca ou de extratos, sendo aproveitadas como fertilizantes bioestimulantes e/ou fitoprotetores, apresentando a capacidade de aumentar a resistência das plantas a doenças e até mesmo a outros estresses, como geadas.

Ainda, as algas melhoram a agregação do solo, minimizando a erosão e otimizando a aeração, aumentando a capacidade de retenção e de movimentação da água, desenvolvimento de raízes, além de fertilizá-lo.

Considerando-se as espécies florestais, são diversas as oportunidades de emprego, desde a formação das mudas, passando pelo plantio até a condução das plantas. Considere-se que as florestas estão expostas a condições adversas e formulados à base de algas marinhas podem representar uma ferramenta para o necessário enfrentamento dessa realidade.

Essa matéria você encontra na edição de junho/julho da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira a sua!

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