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sexta-feira, abril 4, 2025
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Como obter sucesso no cultivo de rabanete?

Autores

Luís Paulo Benetti Mantoan
Doutor em Ciências Biológicas/Fisiologia Vegetal – UNESP/Botucatu
Carla Verônica Corrêa
Doutora em Agronomia/Fisiologia e Nutrição de Plantas – UNESP/Botucatu
cvcorrea1509@gmail.com

Crédito Shutterstock

A produção nacional de rabanete está estimada em nove mil toneladas, sendo concentrada nas regiões sul e sudeste. Já a produtividade é bastante variável, dependendo, por exemplo, do genótipo utilizado e de manejos de adubação e irrigação. No entanto, podem variar de 15 a 90 t ha-1.

A maior demanda do rabanete ocorre em grandes centros urbanos, em especial nos restaurantes. Devido à exigência da planta por clima ameno, os Estados do Sul e Sudeste representam as regiões brasileiras onde mais se concentra a produção do rabanete.

Segundo dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), o rabanete configurou-se o 87º produto mais comercializado no ano de 2017, totalizando cerca de 1.399 toneladas. Neste mesmo ano, a cidade de Piedade (SP) forneceu 70% do rabanete comercializado no CEAGESP, enquanto que Cotia, também em São Paulo, forneceu 8,5%.

Por onde começar

A obtenção do sucesso no cultivo de rabanate depende de vários aspectos, mas a escolha de materiais mais adaptados a cada região é o primeiro passo, assim como a decisão pelo local de cultivo. Dessa forma, sempre se deve escolher solos bem drenados e com teores adequados de matéria orgânica.

Por se tratar de uma cultura que por muito tempo foi cultivada em baixa escala e por complementar as demais, muitas vezes o rabanete recebe o manejo inadequado. No entanto, atualmente vem se tornando uma cultura de destaque, em que as empresas de sementes estão investindo no desenvolvimento de materiais cada vez mais produtivos e diferenciados, com diferentes cores e formatos. Dessa forma, a atividade vem abrangendo os mais diferentes mercados, sendo uma excelente opção de renda para os produtores.

Solo

O cultivo do rabanete pode ser realizado o ano todo em regiões de clima ameno. Já em regiões de clima quente, como no Brasil, o plantio do rabanete deve ser feito de abril a junho, pois o calor favorece o florescimento.

O solo indicado para o rabanete é o areno-argiloso, com pH entre 5,5 e 6,8. Além disso, antes do plantio ele deve ser preparado para ficar bem drenado, fofo e sem pedras – caso contrário, as raízes poderão ficar tortas e ramificadas, especialmente em se tratando de cultivares que têm raízes compridas.

Nutrição

Com relação à nutrição, o solo deve ser rico em matéria orgânica. Para isso, antes do plantio deve-se utilizar esterco de curral curtido na proporção de 40 t ha-1. Também se recomenda o uso de fertilizantes químicos no plantio do rabanete, sendo que a quantidade de cada elemento usado será determinada pela análise do solo.

A recomendação de plantio para os elementos N, P e K pode ser observada na tabela 1, enquanto que as quantidades adequadas dos nutrientes em folhas de rabanete estão na tabela 2. Entre todos os elementos necessários, o boro apresenta uma importância fundamental, pois a sua ausência resulta na produção de raízes rachadas.

Tabela 1: Quantia de N, P e K recomendada para o plantio do rabanete de acordo com o teor de matéria orgânica, de fósforo e de potássio no solo avaliados por meio de análise de solo

Teor de matéria orgânica no solo (%) Nitrogênio (kg de N/ha) Teor de P e K no solo Fósforo (kg de P2O5/ha) Potássio (kg de K2O/ha)
≤ 2,5 40 Muito baixo 240 210
2,6 – 5 40 Baixo 180 170
> 5 ≤ 40 Médio 140 130
    Alto 110 90
    Muito alto ≤ 90 ≤ 60

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, 2004.

Tabela 2: Faixa de valores de nutrientes considerada adequada em folhas de rabanetes

Nutriente Faixa (%)
N 3 – 6
P 0,3 – 0,7
K 4 – 6
Ca 3 – 4,5
Mg 0,5 – 1,2
Micronutrientes Faixa (mg/kg)
B 25 – 125
Cu 5 – 25
Fe 50 – 200
Mn 30 – 250
Zn 20 – 250

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, 2004.

Plantio e colheita

O plantio do rabanete deve ser feito de forma direta em sulcos distantes 20 a 25 cm e com profundidade de 1,0 a 2,0 cm. Quando as plantas atingirem 3,0 a 5,0 cm de altura deve-se realizar o raleio, deixando um espaçamento entre plantas de 5,0 a 10 cm. Durante o desenvolvimento das plantas a irrigação deve ser diária, porém, o solo não deve ficar encharcado e por isso o canteiro deve apresentar boa drenagem.

A colheita deve ser feita quando as raízes estiverem com 2,0 a 3,0 cm de diâmetro, o que se dá entre 25 a 30 dias após a semeadura.

Os erros mais comuns são:

ð Excesso de irrigação;

ð Ausência de análise de solo e de plantas com o objetivo de elaborar adubação adequada e balanceada;

ð Excesso de adubação nitrogenada;

ð Carência de matéria orgânica;

ð Ausência de micronutrientes importantíssimos para a cultura, como o boro e o molibdênio;

ð Carência no controle de plantas daninhas;

ð Solos compactados.


BOX

Comece com o pé direito

Para evitar erros, antes da instalação da cultura o produtor deve realizar a análise química do solo. A partir dela, calculam-se as quantidades de adubação de plantio e cobertura. Dessa forma, o produtor evita desequilíbrios nutricionais causados por excesso de alguns nutrientes e falta de outros.

Indica-se, também, sempre escolher solos bem drenados. A atenção deve ser redobrada em relação à irrigação, que quando em excesso resulta em raízes mal desenvolvidas, com rachaduras e aumento da incidência e severidade de doenças.

Um manejo adequado representa o sucesso no cultivo e, consequentemente, a lucratividade do produtor. Não se trata de uma cultura com custo de instalação elevado. No entanto, apresenta uma excelente demanda e preços mais altos.

Quando o produtor emprega o manejo adequado, ele obtém mais produtividade e qualidade, conseguindo, dessa forma, preços mais elevados. Além disso, evita custos desnecessários, como por exemplo, com adubação.

A análise de solo é um ponto muito negligenciado pelos produtores de rabanete. No entanto, ela é de extrema importância, pois reduz os custos com adubação, pois aplicam-se apenas a quantidades realmente necessárias. Além disso, evita reduções de produtividade causadas por desequilíbrios nutricionais. Plantas nutridas adequadamente apresentam reduções na incidência de pragas e doenças, o que reduz os custos com pulverizações.


Investimento

O investimento inicial é muito baixo e está relacionado à calagem, adubação de plantio, obtenção de sementes e mão de obra. Além disso, deve-se ressaltar que é uma cultura de ciclo curto, demandando assim menos mão de obra e insumos.

O rabanete, apesar de ser uma cultura de menor importância em termos de área plantada, é cultivado em muitas propriedades de pequeno porte das regiões metropolitanas (cinturões verdes), sendo um grande atrativo para cultivo consorciado com outras culturas de ciclo mais longo.

A maior parte da produção (73,68%) ocorre em pequenas propriedades de até 20 ha, enquanto que as médias e grandes propriedades são responsáveis por 24,71 e 1,68% da produção, respectivamente. A produtividade varia de 15 a 30 toneladas por hectare, o que representa 16.000 a 20.000 maços por hectare.

Rentabilidade

A rentabilidade do rabanete é bem interessante, pois é uma cultura de baixo custo de implantação e ciclo rápido. Além disso, o valor do quilo em épocas mais frias varia de R$ 2,00 a R$ 3,00, e nas épocas mais quentes o valor do quilo pode até dobrar.

O retorno já começa no primeiro plantio, graças a ser uma olerícola que mantém preços altos o ano todo e por apresentar ciclo curto. A comercialização de rabanete movimenta anualmente em torno de R$ 18 milhões.


Mais benefícios de plantar rabanete

Como resultados práticos de cultivar rabanete pode-se destacar o uso de matéria orgânica e adubação potássica, que além de aumentar a produção beneficia a qualidade, o que permite maior rentabilidade ao produtor.

A relação custo-benefício dependerá de fatores como tecnificação empregada e produtividade. Como exemplo, para uma produtividade média de 29,62 t ha-1, com valor médio de R$ 2,20, o produtor terá uma rentabilidade bruta de R$ 65.760,84.

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