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sábado, setembro 21, 2024
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Uso de Trichoderma no controle de Pythium na alface

 

Elisa Adriano

Aline José Maia

Leandro Alvarenga Santos

Doutores e pesquisadores da Universidade Estadual do Centro Oeste – PR

Cacilda Márcia Duarte Rios Faria

Doutora e professora da Universidade Estadual do Centro Oeste ““ PR

criosfaria@hotmail.com

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

O cultivo de hortaliças tem aumentado nos últimos anos, sendo a alface a folhosa mais consumida e com grande potencial de produção no país. A podridão de raiz, causada por espécies de Pythium, é uma importante doença na cultura da alface e ocorre principalmente em solos com altos níveis de umidade e em sistemas hidropônicos, podendo acarretar a destruição total da cultura, quando não realizadas as medidas de controle.

O fungo causa podridão na raiz e no colo da planta e os danos provocados prejudicam a absorção de água e nutrientes, interferindo no desenvolvimento da planta, podendo causar a morte. Pode atacar as plantas em todas as fases de desenvolvimento, mas as plantas jovens são mais suscetíveis à doença e podem morrer rapidamente.

A ocorrência de morte das plantas depende do inóculo no solo, dos fatores ambientais favoráveis à doença e da capacidade da planta em reagir ao patógeno. No entanto, mesmo quando não há morte das plantas, a produtividade da cultura é reduzida.

Sintomas

Os sintomas característicos da doença são observados nas folhas, na forma de amarelecimento, deficiência nutricional, murcha, e por fim, seca e morte da planta. Com os primeiros sintomas observados na parte aérea, deve-se examinar o sistema radicular.

Os sintomas nas raízes são escurecimento e podridão das raízes mais novas, progredindo por todo o sistema radicular. O escurecimento é gradual, apresentando inicialmente uma leve tonalidade marrom ou marrom-avermelhado, podendo ocorrer o aparecimento de lesões necróticas. Por fim, as raízes atacadas apresentam cor marrom escura ou negra, acompanhado pelo processo de decomposição.

Controle

Problemas associados ao uso de pesticidas, como resistência do patógeno ao produto, contaminação ambiental e riscos à saúde humana, têm exigido da pesquisa e do setor produtivo maior empenho em programas de controle biológico.

Os microrganismos utilizados no controle de fungos fitopatogênicos têm apresentado maior sucesso no manejo de patógenos de solo, uma vez que nesse ambiente muitos microrganismos são encontrados naturalmente. Espécies de Trichoderma são os antagonistas mais estudados para o controle biológico.

Trichoderma

Atualmente existem diversos produtos registrados à base de Trichoderma para controle de doenças, inclusive para a podridão de raízes induzida por Pythium. Fungos do gênero Trichoderma são encontrados naturalmente em vários solos, em especial os com alta quantidade de matéria orgânica.

É utilizado no controle biológico por ser eficaz no controle de diversos fungos fitopatogênicos de solo, inclusive Pythium spp. Atua por meio de parasitismo, antibiose e competição, podendo produzir metabólitos secundários tóxicos, como antibióticos e enzimas capazes de inibir ou destruir fungos fitopatogênicos.

As espécies do gênero Trichoderma são as mais utilizadas no controle de fitopatógenos, por serem encontradas em diversos ambientes e pelo rápido crescimento em diferentes substratos. Além disso, o Trichoderma tem proporcionado aumento na porcentagem e velocidade de germinação de sementes e estimulado o desenvolvimento das raízes.

Existem diversos produtos comerciais à base de Trichoderma, mas nem todos são registrados para a cultura da alface. As formulações encontradas no mercado nacional e internacional à base de Trichoderma spp. são na forma de pó-molhável (PM), grânulos dispersos, óleos emulsionáveis, grãos colonizados e esporos secos.

Estas formulações são aplicadas diretamente no sulco de plantio, por meio de tratamento de sementes, juntamente com a água de irrigação ou em materiais orgânicos incorporados ao solo antes do transplante das mudas.

 Àdireita, sintomas de Pythium em raiz de alface - Crédito Cyro Paulino
Àdireita, sintomas de Pythium em raiz de alface – Crédito Cyro Paulino

Como age o Trichoderma

Algumas pesquisas ajudaram a entender como o Trichoderma harzianum age no equilíbrio da população de Pythium em solos infestados. Os estudos indicaram que o Trichoderma (T) cresce de forma mais rápida que o Pythium (P) e as suas hifas se entrelaçam nas hifas do patógeno.

Na região de contato entre os dois fungos foi verificada a capacidade do Trichoderma de penetrar no Pythium pela produção de algumas enzimas, diminuindo a patogenicidade do fungo causador de podridões. Deste modo, o Trichoderma consegue auxiliar o controle de doenças causadas pelo Pythium.

 

 

 

 

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